sexta-feira , 29 agosto 2025
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Jovem desiste do futebol e acusa técnico de base do São Paulo de assédio moral

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Transtorno de ansiedade generalizada e episódios de crises de pânico, caracterizados por manifestações como choro e pensamentos intrusivos, além de um prejuízo funcional no contexto esportivo, levaram Isabela (nome fictício) a abandonar o sonho de ser jogadora de futebol.

A jovem de 16 anos, que integrava a base feminina do São Paulo até maio deste ano, relatou ter passado dois anos de humilhações e pressões psicológicas. De acordo com laudo assinado por uma psicóloga contratada por seus pais, isso a levou a desenvolver um quadro traumático.

Segundo o relato da família, Isabela passou a conviver diariamente com gritos, deboches e broncas públicas vindas de Vinícius de Oliveira Santos, treinador responsável pela categoria sub-15 na época. A cada erro nos treinos, diz a família, ele reforçava comentários para desmoralizá-la na frente das colegas, incentivando risadas e apelidos ofensivos, como “monga” e “tonta”.

Com o tempo, a garota passou a apresentar sinais de ansiedade intensa, chorando após as atividades e temendo o momento de entrar em campo.

O comportamento do técnico, apontado como repetitivo e sistemático pela jovem e por sua mãe, que a acompanhava nas atividades, incluía cobranças descritas como desproporcionais e falta de acolhimento diante de situações que fugiam do controle da atleta, como atrasos previamente acordados com a coordenação do clube.

Em uma das ocasiões, mesmo após um tombo que resultou em machucado, ela foi obrigada a continuar os exercícios, com dores. Para a família, a atitude de Vinícius ultrapassou limites da exigência esportiva e se configurou como assédio moral.

“Eu joguei com ele por dois anos, e nesse período, em todos os treinos, ele sempre gritava comigo. Nunca me elogiava, nunca dizia no que eu poderia melhorar. Ele só gritava comigo. Depois dos jogos, ele sempre dava um jeito de me culpar por derrotas”, disse Isabela à Folha.

Acompanhada por seus pais na entrevista, a jovem disse que outras meninas do elenco tricolor também se sentiam desconfortáveis com o comportamento do treinador.

“Uma coisa que ele fazia muito comigo eram piadinhas para me humilhar na frente das meninas, para elas darem risada. Se elas não rissem, ficava mal para elas”, afirmou. “As meninas tinham muito medo dele. Tanto é que, quando as meninas começavam a perceber que ele estava pegando mais no pé delas, elas sempre me pediam conselho, perguntando o que que eu fazia, como eu lidava”, acrescentou a jovem, que resolveu se afastar do esporte. “Ele me fez perder o amor que eu tinha pelo futebol.”

Os pais de Isabela fizeram uma denúncia junto ao Ministério Público de São Paulo. De acordo com o advogado Adriano Cesar Braz Caldeira, que representa a família, eles aguardam o acolhimento da ação.

Antes de recorrer à Justiça, a família buscou canais no próprio clube. Como resposta, o pai de Isabela recebeu um email no último dia 13, no qual o São Paulo afirmava ter feito uma apuração interna.

Após a investigação, segundo a resposta enviada, “foram adotadas as tratativas cabíveis, incluindo medidas de aprimoramento contínuo, reforço de ações preventivas e capacitação de colaboradores, visando a manutenção de um ambiente de trabalho saudável, seguro e ético”.

Na mensagem, assinada pelo Comitê Executivo de Integridade, não há nenhuma menção ao técnico e nada específico sobre possíveis punições.

No dia 15 de maio, as partes romperam o contrato de formação desportiva, em comum acordo. De acordo com uma das cláusulas do distrato, o São Paulo se comprometeu a assegurar que nenhum funcionário do clube, especialmente do departamento de futebol feminino, comunique-se com a atleta até que ela atinja a maioridade.

Procurado pela reportagem, o São Paulo confirmou que foi notificado pela família sobre o caso e informou que fez uma apuração interna, mas não deu detalhes do caso. “Vale ainda ressaltar que se trata de uma menor de idade, em que se fazem necessários sigilo e cuidados legais”, disse o clube em nota.

A Folha de S.Paulo também solicitou ao clube uma entrevista com o técnico Vinícius de Oliveira Santos, mas teve como resposta que apenas a assessoria do São Paulo falaria em nome dele.

Veja a íntegra da nota do São Paulo sobre o caso

O São Paulo Futebol Clube informa que, assim que foi notificado pela parte, encaminhou o caso para apuração do departamento de compliance -área que conta com rígidas regras de confidencialidade.

O São Paulo conta com um canal institucional geral, não só para base mas para todos os funcionários, que faz parte do programa de compliance. A ferramenta é de mercado, que assegura anonimato.

Além disso, a base feminina possui uma rede de assistência para cuidar de maneira integral e dedicada ao bem-estar das atletas.

Vale ainda ressaltar que se trata de uma menor de idade, em que se fazem necessários sigilo e cuidados legais. O São Paulo permanece à disposição da atleta e seus representantes para quaisquer dúvidas.

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