quarta-feira , 7 janeiro 2026
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Secretário de reformas de Lula deixa o governo após derrota no Congresso

O secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Marcos Barbosa Pinto, pediu exoneração do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a sanção da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e de uma derrota recente do Executivo no Congresso Nacional. O pedido foi feito na última sexta (2) e oficializado nesta segunda (5) no Diário Oficial da União (DOU).

A saída ocorre em um momento sensível da política econômica do governo, marcado por dificuldades de articulação política e resistência do Congresso a propostas de aumento de tributação. Marcos Pinto já havia sinalizado a intenção de deixar o governo em novembro do ano passado, afirmando que pretendia retornar à iniciativa privada.

“Está chegando a hora de eu voltar para a iniciativa privada e cuidar da minha família”, disse na ocasião.

A exoneração foi publicada na edição do dia do DOU (veja na íntegra), mas sem a indicação de um substituto. A Gazeta do Povo procurou o Ministério da Fazenda e aguarda retorno.

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O ministro Fernando Haddad chegou a comentar publicamente o incômodo com a decisão do secretário de deixar o cargo, se dizendo “chateado” com a decisão de Barbosa.

“Eu estou meio chateado com o Marcos Pinto porque ele já falou para mim que está pensando em seguir o [Bernard] Appy”, afirmou Haddad durante uma cerimônia no Palácio do Planalto.

À frente da Secretaria de Reformas Econômicas, Marcos Barbosa esteve envolvido em temas centrais da agenda do governo, como a reformulação do Imposto de Renda. Ele também participou da criação do programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas de pessoas físicas, e do Pé-de-Meia, programa que prevê repasses financeiros a estudantes como incentivo à permanência na escola.

Nos últimos meses, o secretário passou a atuar em mudanças no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) e na tentativa de acabar com a isenção de impostos sobre LCAs e LCIs, títulos ligados ao agronegócio e ao setor imobiliário. A proposta, porém, encontrou forte resistência no Congresso Nacional.

Após a derrota no Legislativo, Marcos Barbosa reconheceu que não havia espaço político para insistir no tema em 2026 e que “a decisão do Congresso tem que ser respeitada”. “O Congresso decidiu agora que não quer tributar esses títulos”, afirmou na época em entrevista à Folha de S. Paulo.

A avaliação interna foi de que o clima político inviabilizou novos avanços na agenda de reformas econômicas defendida pela equipe da Fazenda. “Não faz sentido a gente voltar com essa discussão agora”, completou o então secretário, sinalizando o esgotamento do debate.

Além da saída de Marcos Barbosa, há a expectativa de que o próprio ministro Haddad deixe a pasta em breve para se dedicar à campanha eleitoral de Lula à reeleição.

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