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'Se houver indício de vazamento, vamos investigar', diz diretor da PF sobre operação que mirou o PCC


Totalmente atípico, diz delegado da PF sobre maioria dos alvos de operação contra PCC não ter sido
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta quinta-feira (28) que a corporação investigará possível vazamento de informações da operação realizada na manhã desta quinta contra esquema criminoso do Primeiro Comando da Capital (PCC).
“Se houver indício de vazamento, vamos investigar. Apenas 6 dos 15 mandados de prisão foram cumpridos, não é uma estatística normal, com o retorno das equipes aí sim a gente vai ter mais elementos para inferir que possa ter havido vazamento”, disse Andrei Rodrigues.
As organizações fizeram o apelo após uma operação para desarticular um esquema criminoso bilionário no setor de combustíveis, comandado por integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). (leia mais abaixo)
O diretor-geral foi questionado durante uma coletiva de imprensa sobre a operação realizada em Brasília.
Andrei Rodrigues, nomeado diretor-geral da PF pelo governo Lula
Amanda Perobelli/Reuters
Número de prisões ‘atípico’
O resultado das prisões foi classificado por um delegado federal como “totalmente atípico”. Dos 14 alvos com mandado de prisão preventiva, seis foram encontrados e detidos, enquanto a maioria, incluindo alguns dos principais investigados, escapou.
A baixa efetividade das prisões causou grande incômodo entre os policiais à frente do caso, que agora buscam entender as razões para o ocorrido.
“É totalmente atípico em nossas operações acontecer isso. Prender menos do que se deveria. Geralmente, escapa um ou outro. E não a maioria como agora. Temos que investigar o porquê disso”, disse um dos delegados.
Apesar do revés nas prisões, os comandantes da operação destacam que houve um farto volume de material apreendido durante as buscas e que as apreensões devem aprofundar as investigações sobre lavagem de dinheiro do narcotráfico e da corrupção.
Prisões cumpridas:
João Chaves Melchior: ex-policial civil;
Ítalo Belon Neto;
Rafael Bronzatti Belon;
Gerson Lemes;
Thiago Augusto de Carvalho Ramos;
Rafael Renard Gineste.
Prisões não cumpridas:
Mohamad Hussein Mourad, conhecido como “João”, “Primo” ou “Jumbo”: é apontado como “epicentro” do esquema pelo MP;
Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”: considerado pelos investigadores como “colíder” da organização criminosa;
Daniel Dias Lopes: chamado de “pessoa chave” na organização criminosa por ter ligação com distribuidoras de combustíveis de Mohamad;
Miriam Favero Lopes: esposa de Daniel e sócia de empresas ligadas ao esquema;
Felipe Renan Jacobs;
Renato Renard Gineste;
Rodrigo Renard Gineste;
Celso Leite Soares.
Andrei Rodrigues também comentou um possível conflito entre a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo na realização da operação.
“O que houve foi a sincronização dessas três ações, não há conflito [com a operação do MP de SP]. Há integração das três operações, que poderiam acontecer em momentos diversos, mas com prejuízo. Trabalhamos em absoluta harmonia”, afirmou o diretor-geral da PF.
A megaoperação contra o PCC
Uma força-tarefa nacional com cerca de 1.400 agentes cumpriu, nesta quinta, mandados de busca, apreensão e prisão em oito estados. Ela é a junção de três operações e acontece em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.
A megaoperação, batizada de Carbono Oculto, é considerada a maior operação da história do Brasil contra o crime organizado. O grupo sonegou mais de R$ 7,6 bilhões em impostos federais, estaduais e municipais, segundo autoridades da Fazenda de SP.
Polícia civil, Federal e Receita Federal se concentram para saída de megaoperação Carbono Oculto, com participação da Receita Federal
Divulgação/Receita Federal
As investigações revelaram que o grupo criminoso atuava na importação irregular de produtos da cadeia de combustíveis. As irregularidades foram identificadas em diversas etapas do processo de produção e distribuição de gasolina e etanol no país.
Uma das frentes de ação do PCC era a importação irregular de produtos químicos para adulterar os combustíveis. Os investigadores identificaram mais de 300 postos que atuavam nessas fraudes.
Já o setor estima um impacto maior, em cerca de 30% dos postos em todo o estado de São Paulo, em torno de 2.500 estabelecimentos.

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