sexta-feira , 29 agosto 2025
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SC apoia indústrias e trabalhadores afetados por tarifaço dos EUA

Santa Catarina, um dos estados mais afetados pelo tarifaço dos EUA, prevê prejuízos de R$ 1,7 bilhão e queda de 0,31% no Produto Interno Bruno (PIB), segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI) com dados de 2024, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Para reduzir os impactos sobre as indústrias exportadoras e seus trabalhadores, a Federação das Indústrias catarinense (Fiesc) lançou o programa “desTarifaço”, que oferece serviços gratuitos de apoio, capacitação e acesso a crédito.

“O impacto do tarifaço não é uniforme. Em alguns casos, temos pequenas e médias indústrias com mais de 90% do seu faturamento comprometido”, afirma o presidente da Fiesc, Gilberto Seleme.

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Quase 70% das empresas já registraram queda nos pedidos de importadores

Desde o anúncio do tarifaço dos EUA, a Fiesc percebeu efeitos imediatos nas indústrias exportadoras catarinenses. Pesquisa da entidade mostra que 69,23% das empresas já registraram queda no volume de pedidos dos importadores norte-americanos, enquanto 53,84% foram obrigadas a suspender embarques.]

Além disso, 38,46% receberam pedidos de renegociação de preços, e 17,7% concederam férias coletivas a funcionários. A redução na receita deve atingir 93,8% das exportadoras, sendo que 51,2% projetam perdas superiores a 30% no faturamento, 21,7% estimam perdas entre 10% e 20%, e 20,9% preveem queda de até 10%.

O impacto sobre o emprego também é significativo: 72,1% das indústrias estimam demissões, das quais 29,5% devem cortar mais de 30% do quadro, 22,5% entre 10% e 20% e 21,7% até 10%. Apenas 27,9% não preveem demissões.

DesTarifaço visa reduzir impactos do tarifaço dos EUA“DesTarifaço”, movimento do setor industrial catarinense, oferece serviços gratuitos às indústrias e aos trabalhadores afetados. (Foto: Filipe Scotti/Fiesc)

“O desTarifaço surge como um conjunto de medidas concretas para mitigar o efeito do tarifaço. Ele integra consultoria, capacitação e apoio financeiro, especialmente para pequenas e médias indústrias de regiões como Planalto Norte, Meio-Oeste e Serra, que tendem a ser mais afetadas”, destaca Seleme.

Além do suporte direto às empresas e trabalhadores afetados pelo tarifaço dos EUA, a Fiesc atua em outras frentes, com escuta ativa da indústria, produção de estudos econômicos, articulação com sindicatos laborais, colaboração técnica com o governo estadual em pacotes de ajuda a exportadores, defesa de ações junto ao governo federal e contatos com autoridades norte-americanas, incluindo reuniões com o cônsul em Porto Alegre e integrantes da missão da CNI nos EUA.

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Governador anunciou milhões para combater reflexo do tarifaço dos EUA

Ainda em agosto, o governador Jorginho Mello (PL) anunciou um pacote de R$ 435 milhões para apoiar os setores mais afetados pelo tarifaço dos EUA. A medida busca manter a competitividade das empresas, garantir a operação das indústrias e preservar cerca de 73 mil empregos. 

O segmento mais atingido, conforme dados da Secretaria de Estado da Fazenda, é o de madeiras e derivados, incluindo móveis de madeira. O setor é responsável por 48,5 % das exportações. 

Por sua vez, os setores que produzem blocos de motor e compressores representam 17% do impacto e o de motores elétricos e transformadores, 14,5%. A região mais afetada é o norte catarinense, respondendo por 44% das exportações.

Na sequência, está o Vale do Itajaí, com 22% dos embarques para os EUA. Em 2024, o estado exportou R$ 9,9 bilhões ao país, e 95% está diretamente exposto à nova tarifa.

Serviços gratuitos oferecidos aos afetados pelo tarifaço dos EUA

Para a indústria

  • Apoio na busca por crédito e benefícios governamentais
  • Consultoria para abertura de novos mercados
  • Consultoria para adequação de produtos e linhas de produção
  • Auxílio na contratação de bolsistas especializados
  • Consultoria jurídica sobre recursos da CLT e negociações sindicais

Para os trabalhadores

  • Capacitação de funcionários em situação de inatividade
  • Recapacitação de trabalhadores demitidos, com foco em setores com carência de mão de obra
  • Acompanhamento psicológico para recolocação profissional
  • Ações de articulação institucional.

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