O risco de uma nova greve nacional de caminhoneiros em março de 2026 expõe a fragilidade da economia brasileira. Com dois terços das cargas movidas por rodovias, qualquer interrupção trava o abastecimento, encarece custos e pressiona o governo federal em busca de soluções para a logística.
Qual é a real importância das rodovias para a economia do Brasil?
O Brasil é extremamente dependente do asfalto: 63,4% de todas as mercadorias circulam por caminhões. Em 2025, os custos logísticos atingiram R$ 1,96 trilhão, o que representa 15,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse modelo concentra a movimentação de riquezas em um único meio de transporte, tornando o país vulnerável a qualquer paralisação da categoria ou variação brusca no preço dos combustíveis.
Como o transporte brasileiro se compara ao de outros países?
A diferença é grande. Enquanto no Brasil as rodovias dominam dois terços do transporte, nos Estados Unidos elas representam apenas 26%, com as ferrovias absorvendo 43% das cargas. Na Rússia, a eficiência ferroviária é ainda maior, suportando 81% do volume transportado. Essa diversidade em outros países garante que a economia continue funcionando mesmo se um setor parar, algo que ainda não acontece por aqui.
O que explica o desespero do governo e do mercado com a ameaça de greve?
O Brasil adotou intensamente o sistema ‘just in time’, onde a produção e entrega ocorrem exatamente na hora da demanda para reduzir estoques. Sem margens de segurança, qualquer interrupção logística causa desabastecimento imediato. A greve de 2018 provou o perigo desse modelo: dez dias de paralisação geraram um prejuízo de quase R$ 16 bilhões e derrubaram a produção industrial.
Por que ainda é difícil aumentar o uso de trens no país?
Apesar de tentativas como o Marco Legal das Ferrovias e investimentos no Novo PAC, a mudança esbarra em barreiras burocráticas, jurídicas e ambientais. Um exemplo marcante é a Ferrogrão, ferrovia estratégica para escoar a produção agrícola de Mato Grosso, que segue paralisada por disputas judiciais e exigências do Ibama para novos estudos ambientais que podem levar anos.
Qual é o estado das estradas que suportam a maior parte da nossa carga?
A situação é precária. Apenas 12,6% da malha rodoviária nacional é pavimentada. Além disso, mais de 60% desse asfalto é classificado como regular, ruim ou péssimo. Essa deficiência estrutural aumenta o ‘Custo Brasil’, pois estradas ruins resultam em caminhões quebrados, maior consumo de combustível e fretes mais caros, o que acaba sendo repassado para o preço final dos produtos no supermercado.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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