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o que é e por que o bloqueio ameaça a economia mundial?

Na madrugada do último sábado (28), os Estados Unidos e Israel lançaram um ataque contra o Irã. Múltiplas explosões foram registradas em Teerã, capital do país bombardeado, após longas negociações para que o programa nuclear no local fosse encerrado.

Como consequência, o Estreito de Ormuz foi fechado por motivos de segurança, conforme informações divulgadas pela agência estatal iraniana Tasnim.

“A Guarda Revolucionária alertou diversas embarcações de que, devido às condições de insegurança ao redor do estreito resultantes da agressão militar dos Estados Unidos e de Israel e das respostas do Irã, a passagem pelo estreito é atualmente insegura”, afirmou a Tasnim, citando a Guarda.

Mas afinal, o que é o Estreito de Ormuz e qual o impacto global do fechamento deste pequeno pedaço do oceano?

O que é o Estreito de Ormuz: pequeno em tamanho, gigante geopolítico

Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, Ormuz possui cerca de 50 km de largura na sua entrada e saída, e aproximadamente 33 km em seu ponto mais estreito. É a principal rota de escoamento do petróleo extraído dos países membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes, Kuwait e Iraque.

Apesar de sua importância para a economia mundial – visto que um quinto do consumo mundial de petróleo passa pelo Estreito de Ormuz, o canal marítimo poderia passar despercebido a um espectador desavisado que olha para o Globo Terrestre.

Com duas rotas marítimas que medem 3 quilômetros cada, o Estreito de Ormuz é rota diária de cerca de 20 milhões de barris de petróleo, que têm como principal destino a região Ásia-Pacífico. Entretanto, tem forte presença nos mercados europeu e norte-americano.

De acordo com a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos (EIA, sigla em inglês), 82% dos carregamentos de petróleo que passam por Ormuz têm como destino final a China, Índia, Japão e Coreia do Sul.

Já na escalada do conflito em julho de 2025, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, pediu à China que interviesse junto ao Irã caso Ormuz fosse bloqueado na época. “Se fecham o estreito, será um suicídio econômico para eles. Nós temos opções para lidar com isso, mas outros países também deveriam prestar atenção. Isso os afetaria economicamente muito mais que a nós”, analisou Rubio.

Ainda conforme relatório da EIA publicado no ano passado, um bloqueio no Estreito de Ormuz poderia reter de 20% a 25% do petróleo exportado no mundo. O bloqueio tende a provocar disparada imediata nos preços da commodity.

Qual o impacto econômico do fechamento do Estreito de Ormuz?

O fechamento da rota no Estreito de Ormuz pode provocar uma forte alta nos preços do petróleo e desencadear turbulência nas bolsas de valores ao redor do mundo. A interrupção do tráfego marítimo é capaz de comprometer o escoamento de commodities, que podem permanecer retidas nos portos do Oriente Médio, agravando a percepção de escassez.

Os países do Golfo tendem a ser particularmente afetados, já que suas economias dependem de forma significativa das exportações de petróleo e gás. Um bloqueio prolongado atingiria diretamente suas receitas, cadeias logísticas e estabilidade fiscal.

A principal rota marítima para o fluxo de importação de petróleo, o Estreito de Ormuz, foi fechado após ataques dos EUA e Israel ao Irã. (Foto: Wikimedia Commons )

Além disso, os impactos não se limitariam ao setor energético. O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica para o transporte de plásticos, automóveis, fertilizantes, eletrônicos e produtos químicos. Sua interdição tem potencial para afetar cadeias globais de suprimentos, ampliando os efeitos econômicos para muito além do mercado de petróleo.

Quais foram os impactos do fechamento do Estreito de Ormuz até agora?

Após o fechamento do Estreito de Ormuz, divulgado no último domingo (01), os efeitos econômicos começaram a se materializar. Segundo relatório do JPMorgan, o fluxo de importação de barris de petróleo pela rota caiu cerca de 75%.

Em publicação no site oficial do banco, Natasha Kaneva, chefe de Estratégia Global de Commodities da instituição, destacou que “mudanças de regime em países produtores de petróleo — sejam transições de liderança, golpes de Estado, revoluções ou grandes transformações políticas — podem ter impacto profundo na política petrolífera, na produção e nos preços globais do petróleo, tanto no curto quanto no longo prazo”.

No mercado financeiro, o petróleo do tipo Brent chegou a registrar alta de 10% na abertura do mercado asiático nesta segunda-feira (02). Ao longo da manhã, porém, os preços perderam força, em meio a movimentos de ajuste.

Em entrevista à CNN, o economista Robson Gonçalves, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), alertou para consequências mais severas caso a interrupção se prolongue. “O aumento do preço do petróleo rapidamente se converte em inflação global. Fretes ficam mais caros, insumos sobem e o custo final acaba chegando ao consumidor”, explicou.

A rota possui um extenso histórico de tensões

A rota do Estreito de Ormuz há décadas é utilizada como instrumento de pressão no tabuleiro geopolítico internacional. Como resultado, o canal e toda a região ao seu redor permanecem sob constante tensão, marcados por episódios recorrentes de instabilidade.

Um dos momentos mais emblemáticos dessa escalada ocorreu na década de 1980, durante a chamada “Guerra dos Navios Petroleiros”, no contexto da Guerra Irã-Iraque.

Em meio à invasão do território iraniano, Saddam Hussein ordenou ataques a instalações petrolíferas do Irã com o objetivo de provocar o fechamento do estreito, movimento que poderia pressionar a entrada dos Estados Unidos no conflito ao lado do Iraque.

A estratégia, contudo, não se concretizou. O Irã redirecionou seus esforços militares contra alvos iraquianos, mantendo a rota marítima aberta e funcional.

Em 1988, ainda sob o clima de hostilidade, o estreito foi palco de um dos episódios mais controversos da aviação civil. Forças da Marinha dos Estados Unidos abateram por engano o voo 655 da Iran Air, resultando na morte dos 290 civis a bordo. O episódio, que aprofundou as tensões, permanece como símbolo trágico da volatilidade na região.

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