SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Justiça do Ceará concedeu medida protetiva a Francisca Karollainy Barbosa Cavalcante, conhecida como Karol, que denunciou o jogador David Luiz por ameaça de morte e violência psicológica após o término de um relacionamento. A decisão saiu na última quarta-feira, menos de 24 horas depois de a assistente social formalizar o pedido.
O jogador nega as acusações e, por meio de sua assessoria de imprensa, afirmou que todas as medidas legais cabíveis estão sendo tomadas.
O UOL teve acesso ao boletim de ocorrência feito por Karol no dia 23 de agosto, no qual ela relatou ter sido ameaçada pelo zagueiro por meio de mensagens no Instagram. A reportagem também obteve a foto da conversa anexada ao processo. O material foi periciado pelas autoridades e confirmado como autêntico, servindo de base para a concessão da medida protetiva.
Karol declarou ter sentido “risco real de morte” ao ler as mensagens, chegando a comparar a situação ao caso de Eliza Samudio, assassinada em 2010 pelo ex-goleiro Bruno.
“Depois que o relacionamento acabou, ele passou a me ameaçar constantemente. Recebi, pelo Instagram, uma mensagem enviada pelo próprio David Luiz contendo as seguintes palavras: ‘Você sabe que tenho dinheiro e poder, então, não banque a esperta. Seria triste seu filho ter que pagar as consequências dos seus atos. Eu posso simplesmente fazer você sumir'”, afirmou no depoimento.
Em seguida, ainda em seu depoimento, a mulher acrescentou: “Na hora que eu li a ameaça, eu me senti numa situação que realmente ele faria comigo igual o Bruno fez com Eliza Samudio. Ele deixou claro que podia me fazer sumir. Declaro que me senti extremamente intimidada e em risco real de morte, além de temer pela segurança do meu filho.”
Segundo o advogado de Karol, Fabiano Távora, o jogador teria procurado a jovem nas redes sociais, omitindo a informação de que era casado, e iniciado as ameaças após a recusa dela a uma proposta para formar um “trisal” -relacionamento entre três pessoas.
“A nossa primeira preocupação era garantir a integridade física da Karol. A decisão saiu em menos de 24 horas. Isso mostra a urgência do caso. A ameaça é muito evidente, muito direta. Ele mandou o convite de amizade no Instagram, ele que iniciou as conversas, ele que a convidou para Fortaleza, ele que omitiu que era casado. Quando ele sugere uma situação que ela não gostou, do trisal, ele passa a fazer ameaça. Ela foi forçada a se proteger”, afirmou.
A assistente social, que vive no interior do Ceará, teria recebido convite do zagueiro para se hospedar em Fortaleza, no hotel de luxo Magna Praia. Segundo a defesa, David Luiz se comprometeu a pagar as diárias, que podem chegar a R$ 1.000.
Ainda de acordo com Távora, quando a história veio a público, Karol passou a ser seguida por desconhecidos em Fortaleza e precisou trocar de hotel várias vezes, até retornar à cidade onde mora com o filho de seis anos.
“A gente tem documentação sobre isso. Ela teve que trocar de hotel várias vezes depois desse episódio. Ele negou que a conhecia. Depois confessou que trocava informações com ela. Depois apresentou uma documentação no hotel. Ela se hospedava e ele ia lá. E o hotel também tem que ser responsabilizado”, disse o advogado, que estuda as próximas medidas legais contra o jogador.
Procurada, Karol não quis conceder entrevista e afirmou que só se manifesta por meio de sua defesa.
David Luiz, de 38 anos, rescindiu recentemente com o Fortaleza para jogar no Pafos, do Chipre, onde assinou contrato de três anos. Com passagens pela seleção brasileira, Chelsea, Arsenal e PSG, o zagueiro iniciou sua trajetória no novo clube no começo de agosto.
O jogador se manifestou sobre o caso por meio de sua assessoria: “Diante das recentes alegações e em respeito à transparência, a assessoria de David Luiz informa que todas as medidas legais cabíveis estão sendo tomadas. Por se tratar de processo que tramita sob sigilo de justiça, o atleta não se manifestará publicamente. O jogador reafirma seu compromisso com a verdade e confia que os fatos serão apurados e esclarecidos pelas autoridades competentes.”