A agência de classificação de risco Moody’s do Brasil anunciou nesta quarta-feira (1) o rebaixamento da nota do Banco de Brasília S.A. (BRB). O chamado “rating” do banco despencou de BBB-.br para CCC+.br, situando a instituição em um patamar de crédito considerado “muito fraco” e próximo da inadimplência (default) caso não ocorra uma injeção de capital urgente.
Segundo o comunicado da Moody’s, publicado no site oficial, o rebaixamento reflete a deterioração da saúde financeira do banco após perdas bilionárias com ativos adquiridos do Banco Master. Tais operações foram alvo da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar as supostas fraudes.
VEJA TAMBÉM:
- BRB adia divulgação do balanço de 2025
- Ministro nega possibilidade de federalização do BRB
Atualmente, uma auditoria forense contratada pelo BRB tenta medir o tamanho exato do prejuízo, que ainda não foi totalmente comunicado ao mercado e está estimado em algo em torno de R$ 6 bilhões ou até R$ 15 bilhões.
Outro fator determinante foi o descumprimento do prazo regulamentar para a divulgação das demonstrações financeiras de 2025, que deveria ter ocorrido até 31 de março. O banco não divulgou seus dados financeiros a partir de junho de 2025. A ausência de informações atualizadas prejudica a percepção do mercado sobre a “sustentabilidade do negócio”, com alto risco de calote diz a Moody’s. Sempre que questionado, o BRB declara que tem “solidez” e um “plano estruturado de capitalização”.
Para recompor seu patrimônio e manter a solvência, estima-se que o BRB necessite de um aporte de ao menos R$ 6,6 bilhões. O governo do Distrito Federal (GDF), controlador do banco, tentou viabilizar o uso de bens públicos e ativos de empresas estatais como garantia para empréstimos, mas enfrenta entraves jurídicos.
A Moody’s ainda manteve os ratings em revisão para novos rebaixamentos, informando que monitorará a Assembleia Geral agendada para o dia 22 de abril, que deve deliberar sobre o plano de aumento de capital. Novas notas negativas podem ser atribuídas caso não seja apresentada uma solução com um plano viável de recuperação, disse a agência.











