Informações obtidas junto ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), do Banco Central, apontam que o Banco Master realizou o repasse de milhões de reais ao site Metrópoles e a uma empresa do jornalista Léo Dias, que publica notícias e fofocas sobre famosos, entre os anos de 2024 e 2025.
Os pagamentos coincidem com o período em que a instituição financeira já passava por dificuldades e com a reunião que o banqueiro Daniel Vorcaro teve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o então futuro presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, em busca de ajuda.
Segundo apurações publicadas pelo Estadão, o Metrópoles recebeu R$ 27 milhões e outros R$ 9,9 milhões foram pagos a Léo Dias. O jornalista recebeu, ainda, R$ 2 milhões de um empresário próximo a Vorcaro e parceiro de negócios de Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e suposto operador financeiro das fraudes descobertas pela Polícia Federal cujas investigações levaram à deflagração da operação Compliance Zero no ano passado.
O site Metrópoles, através de seu proprietário, o ex-senador Luiz Estevão, e Léo Dias negaram irregularidades nos pagamentos e afirmaram que os repasses se trataram de contratos publicitários do Will Bank, o banco digital do Master também liquidado pelo Banco Central.
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Os pagamentos ao Metrópoles e a Léo Dias ocorreram a partir do segundo semestre de 2024, já em meio às dificuldades de liquidez e pressão por parte do mercado financeiro enfrentadas pelo Banco Master e que levaram Vorcaro a articular uma reunião com Lula, Galípolo (que tomaria posse do cargo no início de 2025) e os então ministros Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Silveira (Minas e Energia) no final daquele ano. O encontro não constou na agenda oficial do presidente e foi articulada pelo ex-ministro Guido Mantega, que prestava consultoria ao Master.
Em mensagens trocadas com a ex-namorada Martha Graeff, Vorcaro afirmou que o encontro “foi ótimo/muito forte”.
Recentemente, em entrevistas, Lula confirmou que recebeu Vorcaro no Palácio do Planalto em uma reunião fora da agenda oficial, e que o informou de que a alegada “perseguição que estava sofrendo” seria investigada em caráter técnico, sem posição política pró ou contra o Banco Master.
“A política não entrará na investigação do seu banco, o que entrará será a competência técnica do Banco Central pra saber se está errado”, afirmou ao UOL e com declarações repetidas nesta quarta-feira (8) ao ICL Notícias.
Repasses ao Metrópoles
Relatório do Coaf aponta que os repasses de R$ 27,8 milhões à empresa Metrópoles Marketing e Propaganda Ltda., no segundo semestre de 2024, foram classificados como “inusitados” e incompatíveis com o faturamento declarado da empresa. Foi neste período que Daniel Vorcaro tentou vender o Master ao Banco de Brasília (BRB), em uma operação que foi barrada pelo Banco Central no ano seguinte.
O documento também destaca que houve “débito imediato” dos valores para outras companhias ligadas a Luiz Estevão, como a Madison Gerenciamento S/A, a Sense Construções e Participações S/A e a Macondo Construções e Participações S/A. Para o Coaf, a operação “pode configurar possível movimentação de recursos em benefício de terceiros”.
Segundo os registros, o Banco Master chegou a ser o principal remetente de recursos ao Metrópoles em 2025, com transferências variadas que chegam a R$ 5,7 milhões em operações fracionadas. Parte relevante desses valores foi enviada antes mesmo do início efetivo de contratos citados como justificativa, como a transmissão da Série D do Campeonato Brasileiro e à venda de “naming rights” da competição.
A defesa de Luiz Estevão afirma que os repasses são legais e vinculados a contratos publicitários do Will Bank. Ele declarou que “o dinheiro que eu recebi passa a ser meu e faço com ele o que eu quiser”, negando qualquer irregularidade nas movimentações financeiras.
Repasses a Léo Dias
No caso de Léo Dias, os dados do Coaf apontam que, entre fevereiro de 2024 e maio de 2025, foram identificados ao menos seis repasses diretos que somam R$ 9,9 milhões, além de outros R$ 2 milhões transferidos por uma empresa que tinha o próprio banco como principal fonte de receita, a LD Produções, de um empresário mineiro próximo de Zettel.
Os relatórios apontam que, nos 15 meses avaliados, cerca de R$ 34,9 milhões circularam nas contas da empresa de Léo Dias, sendo que os valores oriundos do Banco Master representaram aproximadamente 28% de todo o faturamento. Ainda segundo o Coaf, as saídas financeiras superaram as entradas, alcançando R$ 35,7 milhões, com registros de pagamentos de boletos em nome de terceiros e transferências consideradas sem justificativa clara.
Outro documento aponta que Léo Dias fez um pagamento de R$ 2,6 milhões à Foone Serviços Internet, que tinha como sócios o responsável pela LD Produções e Fabiano Zettel. Uma outra apuração aponta que o jornalista também chegou a vender parte de sua empresa ao empresário Thiago Miranda, que esteve envolvido na contratação de influenciadores digitais para atacar o Banco Central, em novembro do ano passado, por causa da decisão de liquidar o Master.
Em sua defesa, Léo Dias afirma que todos os valores recebidos têm origem em contratos publicitários firmados com o Will Bank, negando qualquer irregularidade. Em nota, o jornalista sustenta que “a única relação tratada no período foi a publicidade realizada pelo Will Bank com o Grupo Leo Dias de Comunicação”.
Já em relação a Miranda, a assessoria do jornalista informou que ele “deixou o cargo de CEO em junho de 2025. Desde então, não exerce qualquer função de gestão, participação em decisões estratégicas ou atuação operacional no grupo”.











