Durante a 2ª Conferência Nacional do Trabalho, nesta terça-feira (3), o presidente Lula afirmou erroneamente que a Argentina aprovou uma jornada de 12 horas diárias. A declaração ocorre em meio ao debate sobre o fim da escala 6×1 no Brasil e a queda de aprovação do governo federal.
O que o presidente Lula disse sobre a jornada de trabalho na Argentina?
Lula afirmou que o Brasil não suportaria uma jornada de 12 horas diárias, alegando que esse modelo teria sido aprovado recentemente na Argentina. Ele usou o exemplo do país vizinho para argumentar que mudanças trabalhistas devem respeitar a realidade de cada categoria profissional, mas acabou distorcendo as regras aprovadas pelo governo de Javier Milei.
Como funciona a nova regra trabalhista aprovada na Argentina?
Ao contrário da afirmação de Lula, a jornada legal na Argentina permanece em 8 horas diárias. A reforma permite apenas que acordos coletivos estendam o trabalho para até 12 horas em alguns dias, desde que as horas extras sejam compensadas por bancos de horas e folgas posteriores. O limite semanal continua sendo de 48 horas, e o trabalhador deve ter obrigatoriamente 12 horas de descanso entre um turno e outro.
O que é a jornada 4×3 mencionada no modelo argentino?
Com a mudança, patrões e empregados podem negociar a extensão do horário de segunda a quinta-feira para que o trabalhador tenha folga na sexta, no sábado e no domingo. É uma forma de flexibilização que permite condensar as horas de trabalho em menos dias, sem aumentar a carga horária total da semana ou gerar custos adicionais de horas extras para a empresa.
Qual é a posição dos ministros brasileiros sobre a escala 6×1?
Os ministros Luiz Marinho (Trabalho) e Simone Tebet (Planejamento) defendem o fim da escala 6×1, uma bandeira eleitoral de Lula para 2026. Marinho adotou um tom mais moderado, focando na produtividade. Já Tebet foi mais enfática, criticando quem diz que o país ‘quebraria’ com a mudança e destacando a desigualdade social do Brasil como motivo para a revisão da jornada.
Quais são os riscos econômicos do fim da escala 6×1 no Brasil?
Embora o governo defenda a medida para dar mais tempo livre ao trabalhador, estudos econômicos alertam para prejuízos. As estimativas indicam que a proibição da escala 6×1, nos termos atuais, poderia causar o fechamento de mais de 500 mil postos de trabalho, além de pressionar a inflação e aumentar a informalidade, já que o custo para manter estabelecimentos abertos todos os dias subiria consideravelmente.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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