A inflação oficial do Brasil voltou a acelerar em fevereiro e ficou em 0,7% de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta quinta (12) pelo IBGE. O indicador ficou acima das expectativas do mercado de 0,6%, puxado principalmente pelo aumento das mensalidades escolares e pelos custos do transporte.
Com isso, a inflação acumulada em 12 meses chegou a 3,81%, abaixo dos 4,44% registrados anteriormente, mas levemente acima da projeção do mercado, que girava em torno de 3,77% no acumulado anual. Mesmo assim, o índice segue dentro da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3% com tolerância de até 4,5%.
O principal fator de pressão sobre os preços foi o grupo Educação, que registrou aumento de 5,21% em fevereiro e respondeu por cerca de 0,31 ponto percentual do índice mensal. Segundo o gerente do IPCA do IBGE, Fernando Gonçalves, esse comportamento é típico do início do ano letivo, quando as instituições de ensino aplicam reajustes nas mensalidades.
“Desta vez, o grupo subiu 5,21%, o maior resultado desde fevereiro de 2023, e respondeu por cerca de 44% da inflação do mês. Sem esse efeito, o IPCA de fevereiro teria ficado em torno de 0,41%”, afirmou Gonçalves.
VEJA TAMBÉM:
Após disparada do petróleo, agro pede ao governo aumento de mistura de biodiesel
Entre os reajustes mais expressivos na área educacional, destacam-se as mensalidades do ensino médio, que subiram 8,19%, do ensino fundamental, com alta de 8,11%, e da pré-escola, que avançou 7,48%. Os cursos regulares, no geral, tiveram aumento médio de 6,2% no período.
O segundo maior impacto na inflação veio do grupo Transportes, que subiu 0,74% e contribuiu com 0,15 ponto percentual para o resultado do mês. Um dos principais fatores foi o aumento de 11,4% nas passagens aéreas.
Outros custos relacionados ao uso de veículos também tiveram alta, como o seguro voluntário de automóveis, que subiu 5,62%, e o conserto de veículos, com avanço de 1,22%. As tarifas de ônibus urbano também aumentaram 1,14%, refletindo reajustes em várias capitais.
Já os combustíveis apresentaram leve queda média de 0,47%, influenciada principalmente pela redução de 0,61% no preço da gasolina e de 3,10% no gás veicular. “No caso da gasolina, houve uma redução de cerca de 5,2% no preço repassado pelas refinarias às distribuidoras no fim de janeiro, o que pode ter contribuído para esse resultado”, explicou Gonçalves.
O grupo Alimentação e bebidas registrou variação moderada de 0,26% no mês, com destaque para a alta do açaí (25,29%), do feijão-carioca (11,73%), do ovo de galinha (4,55%) e das carnes (0,58%). Por outro lado, alguns itens importantes da mesa do brasileiro ficaram mais baratos, como frutas (-2,78%), óleo de soja (-2,62%), arroz (-2,36%) e café moído (-1,20%).
Segundo o IBGE, a queda do café já ocorre pelo oitavo mês consecutivo e o arroz acumula recuo de 27,86% em 12 meses, impulsionado pela maior oferta do produto no mercado.
No grupo Saúde e cuidados pessoais, os preços subiram 0,59%, com destaque para artigos de higiene pessoal, que aumentaram 0,92%, e planos de saúde, que tiveram alta de 0,49%.
Já o grupo Habitação avançou 0,30% em fevereiro após queda no mês anterior, puxado principalmente pelo aumento nas taxas de água e esgoto em algumas capitais e pela alta de 0,33% na energia elétrica residencial, mesmo com a manutenção da bandeira tarifária verde.










