quarta-feira , 4 fevereiro 2026
Lar Economia Em crise, Correios preveem 15 mil demissões até 2027 no PDV
Economia

Em crise, Correios preveem 15 mil demissões até 2027 no PDV

Os Correios ampliaram para 15 mil funcionários a meta do Programa de Demissão Voluntária (PDV) previsto para 2026 e 2027, como parte do plano de reestruturação para aliviar a crise enfrentada. Diante desse cenário, os Correios também cancelaram o vale-natal de R$ 2,5 mil que seria pago aos trabalhadores em 2024, previsto no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT).

A estatal passou a considerar também “outras alternativas” ao empréstimo de R$ 20 bilhões que vinha sendo negociado com bancos. As informações foram divulgadas pelo Estadão.

Economia projetada com o PDV

De acordo com documentos internos, o PDV deve ocorrer em duas etapas: 10 mil desligamentos em 2026 e 5 mil desligamentos em 2027.

A projeção é de uma economia de até R$ 1,4 bilhão por ano a partir de 2027, com retorno do investimento em cerca de nove meses. O programa é apresentado aos funcionários como “voluntário, com condições atrativas e seguras”.

VEJA TAMBÉM:

  • Rombo nos Correios obriga governo a bloquear gastos

Busca por solução financeira de curto prazo

O governo estuda uma “solução ponte” para permitir que os Correios iniciem a reestruturação sem depender de empréstimos em condições consideradas desfavoráveis.

A empresa aguarda um aporte emergencial do Tesouro, estimado entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões até 16 de dezembro, para cumprir compromissos de fim de ano, incluindo salários, 13º e pagamentos a fornecedores.

O documento “Correios em Reestruturação”, citado pelo Estadão, também prevê a revisão técnica de cerca de mil unidades deficitárias.

“Isso significa avaliar situações reais: unidades com baixo movimento, custos operacionais muito acima da média ou localidades onde canais alternativos, como o Correios AQUI, podem oferecer melhor eficiência”, detalhou a empresa.

A estatal afirma que, no curto prazo, a prioridade é regularizar o pagamento de fornecedores até janeiro de 2026. Para isso, os Correios seguem buscando alternativas de financiamento que dividam os desembolsos entre 2025 e 2026.

VEJA TAMBÉM:

  • Correios suspendem empréstimo de R$ 20 bilhões após reprovação do Tesouro

Rombo de R$ 6 bilhões

Os Correios anunciaram no final de novembro que o prejuízo acumulado em 2025 atingiu R$ 6 bilhões até setembro, quase três vezes o registrado no mesmo período de 2024, quando o rombo somava R$ 2,1 bilhões. Apenas no primeiro semestre deste ano, a estatal já acumulava perdas de R$ 4,3 bilhões.

Segundo a empresa, o desempenho negativo resulta da forte queda na receita, sobretudo nos serviços internacionais, e do aumento expressivo das despesas operacionais e financeiras, com destaque para passivos judiciais e encargos da dívida.

Em 2024, os Correios fecharam o ano com prejuízo de R$ 2,6 bilhões, quadruplicando o resultado negativo de 2023. A situação continuou se deteriorando: no terceiro trimestre de 2025, o déficit chegou a R$ 1,6 bilhão, contra R$ 785,5 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Artigos relacionados

Escândalo do Banco Master chega ao Ronaldinho Gaúcho

O escândalo financeiro do Banco Master chegou ao ídolo Ronaldinho Gaúcho. Fundos...

Crise Banco Master e Fictor: entenda o colapso financeiro

O Grupo Fictor, uma holding do setor de alimentos, pediu recuperação judicial...

Comissão do Senado cria grupo para acompanhar desvios do Master e possível CPI

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou a criação, nesta...

o emaranhado que cresceu fora do radar do Estado

O colapso do Banco Master desencadeou uma reação em cadeia que expôs...