Entidades do agronegócio e da agroindústria brasileira divulgaram nesta quarta-feira (11) uma carta aberta pedindo ao governo federal a imediata elevação do percentual de mistura obrigatória de biodiesel no diesel dos atuais 15% (B15) para 17% (B17).
Entregue à Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o documento foi encaminhado aos ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, além da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A principal justificativa dos signatários é a instabilidade geopolítica, agravada com a guerra no Irã, que provoca oscilações nas cotações globais do petróleo e, consequentemente, nos preços e na disponibilidade de combustíveis fósseis.
Com a escalada da tensão no Oriente Médio, o preço do petróleo disparou, acendendo um alerta mundial no setor de combustíveis fósseis. O fechamento do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária do Irã agrava a situação, uma vez que pela região passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo.
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Desde a primeira ofensiva conjunta de Estados Unidos e Israel contra o Irã, o preço do barril Brent, utilizado como referência internacional, acumula alta de mais de 30%. Negociado a US$ 72,48 no fim de fevereiro, o barril hoje gira em torno de US$ 100.
“Diante dessa conjuntura, é imperativo e estratégico fortalecer soluções internas que garantam a nossa segurança energética, a estabilidade de preços e a mitigação dos riscos de desabastecimento”, diz trecho do documento.
A carta é assinada por 43 entidades de diferentes segmentos. Segundo o texto, a ampliação da mistura para B17 seria uma resposta ágil, segura e plenamente alinhada aos interesses nacionais por reduzir a “crônica dependência brasileira da importação de diesel”, acelerar a transição energética e fortalecer as cadeias produtivas.
Conforme cronograma previsto na Lei Combustível do Futuro, aprovada em 2024 pelo Congresso, o percentual de biodiesel misturado ao diesel deveria subir 1 ponto percentual por ano a partir de 2025 até chegar a 20% (B20) em 2030. Ou seja, subiria neste ano para 16% (B16) e somente no ano que vem para 17%.
Para o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), o país precisa aproveitar seu potencial produtivo para ampliar a geração de energia a partir do próprio setor agropecuário.
“Hoje o Brasil ainda importa cerca de 30% do diesel que consome. Em um cenário de instabilidade internacional, isso representa uma vulnerabilidade para a nossa economia. O agro tem capacidade de oferecer parte dessa solução, transformando biomassa em combustível e fortalecendo nossa segurança energética”, afirmou.
Confira as entidades signatárias da carta que pede aumento da mistura de biodiesel
- ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio
- ABCS – Associação Brasileira dos Criadores de Suínos
- ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu
- ABIEC – Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne
- ABIFUMO – Associação Brasileira da Indústria do Fumo
- ABIOVE – Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais
- ABIPESCA – Associação Brasileira das Indústrias de Pescados
- ABISOLO – Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal
- ABPA – Associação Brasileira de Proteína Animal
- ABRABOR – Associação Brasileira de Produtores e Beneficiadores de Borracha Natural
- ABRAFRIGO – Associação Brasileira de Frigoríficos
- ABRAFRUTAS – Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados
- ABRAMILHO – Associação Brasileira dos Produtores de Milho
- ABRASEM – Associação Brasileira de Sementes e Mudas
- ABRASS – Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja
- ACRIMAT – Associação dos Criadores de Mato Grosso
- ADIAL – Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás
- AMA BRASIL – Associação dos Misturadores de Adubos do Brasil
- ANAPA – Associação Nacional dos Produtores de Alho
- ANDAV – Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários
- APROSMAT – Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso
- APROSOJA BR – Associação Brasileira dos Produtores de Soja
- APROSOJA MS – Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul
- APROSOJA MT – Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado de Mato Grosso
- BIOENERGIA BRASIL
- BIOSUL – Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul
- CNA – Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
- CROPLIFE BRASIL
- FAEP – Federação da Agricultura do Estado do Paraná
- FAESP – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo
- FAMASUL – Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul
- FAMATO – Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Mato Grosso
- FEPLANA – Federação dos Plantadores de Cana do Brasil
- FIEMT – Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso
- FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
- OCB – Organização das Cooperativas Brasileiras
- ORPLANA – Organização de Associações de Plantadores de Cana do Brasil
- SINDAG – Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola
- SINDIRAÇÕES – Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal
- SINDIVEG – Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal
- SRB – Sociedade Rural Brasileira
- UNEM – União Nacional do Etanol de Milho
- VIVA LÁCTEOS – Associação Brasileira de Laticínios
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