quinta-feira , 26 março 2026
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CV em SP utilizava Fictor para movimentar dinheiro de empréstimos fraudulentos

A Polícia Federal revelou que uma célula do Comando Vermelho atuava na cidade de Americana, no interior de São Paulo, usando o Grupo Fictor para movimentar dinheiro de empréstimos fraudulentos, em um esquema que causou prejuízo superior a R$ 500 milhões, sobretudo à Caixa Econômica Federal. A ação foi alvo da Operação Fallax, deflagrada nesta quarta-feira (25) e que cumpriu mandados inclusive contra o CEO da empresa e um ex-sócio.

A investigação começou em 2024, após a identificação de fraudes bancárias baseadas na criação em massa de empresas de fachada. Esses negócios tinham capital social simulado, atividade genérica e sócios únicos, geralmente laranjas, e eram usadas para obtenção ilegal de crédito.

Segundo a Polícia Federal, o grupo contava com apoio de funcionários do banco para viabilizar os empréstimos. A estratégia incluía manter os pagamentos em dia no início dos contratos e, posteriormente, provocar inadimplência proposital para dificultar a recuperação dos valores.

“Dos alvos, um deles abriu empresas com nomes de fachada e de laranjas, para poder conseguir esses empréstimos. Não sabemos, no entanto, até que ponto foi utilizado para a empresa principal que eles representam para fazer qualquer tipo de lavagem”, afirmou o delegado Henrique Guimarães a jornalistas.

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O Grupo Fictor, segundo os investigadores, teve papel relevante como base financeira e operacional do esquema. A empresa teria sido responsável por simular movimentações entre companhias ligadas ao grupo, criando uma aparência artificial de liquidez.

A prática incluía pagamento cruzado de boletos e geração fictícia de faturamento, o que ajudava a construir histórico bancário para novas operações de crédito. Também há indícios de participação na criação e gestão das empresas de fachada.

“A gente identificou que um mesmo comprovante de endereço foi utilizado para abrir várias empresas, mais de 10 empresas em apenas um dia no nome de um mesmo laranja. E conseguimos identificar que um laranja conseguiu abrir 56 empresas”, disse o delegado.

Ao todo, pelo menos 400 empresas de fachada teriam sido criadas para sustentar as fraudes. Ainda segundo Guimarães, quando o empréstimo era concedido, o valor entrava para a conta e “quem controlava essas contas era esse alvo principal nosso [o líder da célula do Comando Vermelho em Americana]”.

Investigadores da Polícia Federal afirmam que o esquema era semelhante ao supostamente utilizado pela gestora Reag com o PCC para movimentar dinheiro proveniente da fraude de combustíveis, descoberta durante as investigações que levaram à operação Carbono Oculto, no ano passado.

A Reag, posteriormente, foi citada na investigação da fraude financeira do Banco Master por ligações com investimentos da instituição financeira e foi igualmente liquidada pelo Banco Central. O ex-CEO da gestora, João Carlos Mansur, chegou a ser alvo da segunda fase da operação Compliance Zero, no começo deste ano.

O que dizem os citados

Em nota à Gazeta do Povo, o Grupo Fictor afirmou que ainda estava tomando conhecimento das investigações e que “serão prestados os esclarecimentos necessários às autoridades competentes, com o objetivo de elucidar os fatos”.

Já a Caixa Econômica Federal afirmou que “atua permanentemente em cooperação com os órgãos de segurança pública e de controle, especialmente a Polícia Federal, no combate a fraudes bancárias, estelionatos e crimes de lavagem de dinheiro”.

“A operação deflagrada é resultado direto de investigações conduzidas pelas autoridades competentes, com base em informações e comunicações realizadas pelo banco no curso regular dos mecanismos de monitoramento e notificação de indícios suspeitos”, completou.

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