quarta-feira , 25 março 2026
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Correios anunciam escala 12×36 e funcionários prometem reação

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) ameaçou uma mobilização em nível nacional em resposta à decisão dos Correios, anunciada nesta terça-feira (24), de adotar, para algumas atividades, a jornada de 12 horas de trabalho para 36 horas de descanso.

O presidente da entidade, Emerson Marinho, argumenta que a nova jornada “adoece e impõe a sobrecarga horária aos trabalhadores” e pede que os trabalhadores não assinem nenhum acordo individual nesse sentido. “Deixa tudo aí lotar e vamos trabalhar conforme a legislação manda, que são as oito horas diárias”, propõe.

“Se insistirem em retirar direitos, a resposta será organização, mobilização e luta em todo o país. Estamos construindo uma grande reação nacional para barrar esses retrocessos. Não há negociação com retirada de direitos”, diz a entidade. A Fentect direcionou as críticas ao ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, e à ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, mas não detalhou quais ações fariam parte da reação.

De acordo com a estatal, a medida faz parte do plano para cobrir o rombo que já chega a R$ 10 bilhões e está “alinhada ao processo de modernização dos fluxos operacionais e ao aumento da eficiência na prestação dos serviços”.

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“A jornada flexível se consolida como um diferencial competitivo relevante, ao ampliar a capacidade operacional dos Correios e fortalecer o posicionamento da empresa frente à concorrência no segmento de encomendas”, argumenta a empresa.

À iniciativa privada, o governo federal trabalha em sentido oposto, para reduzir a jornada de trabalho máxima permitida. A ideia é proibir a jornada 6×1 e impor uma carga horária semanal máxima de 36 horas. O discurso adotado em defesa da pauta é justamente o da preservação da saúde dos trabalhadores.

No caso dos Correios, como o modelo proposto seria calculado em horas, os funcionários alternariam entre trabalhar quatro dias em uma semana e três dias na semana seguinte. A empresa fica obrigada a conceder uma hora para almoço ou descanso, além de pagar adicional noturno. Ao mesmo tempo em que supera a jornada diária comum, aumentando as críticas relacionadas ao desgaste do trabalhador, a jornada 12×36 gera em média 15 dias de folga por mês.

A Gazeta do Povo entrou em contato com a Casa Civil, com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e com os Correios. O espaço segue aberto para manifestação.

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