A proposta de redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais pode elevar os custos das empresas brasileiras em até R$ 267,2 bilhões anuais. Segundo estudo da CNI divulgado nesta sexta-feira (27), a medida representa um acréscimo de 7% na folha de pagamento nacional, gerando alerta no setor.
Qual é o impacto financeiro direto para as empresas?
O custo de manter os negócios pode subir drasticamente devido ao aumento do valor da hora trabalhada. Estima-se que a folha de pagamento nacional sofra um acréscimo de 7%. Esse peso financeiro vem da necessidade de pagar mais horas extras para manter a produção atual ou de contratar novos funcionários para cobrir as horas reduzidas, o que nem sempre é viável para todos os setores.
Quais regiões e estados serão os mais afetados?
A região Sul sente o maior impacto proporcional, pois tem o maior índice de trabalhadores cumprindo mais de 40 horas (67,2%). Em valores absolutos, o Sudeste lidera o prejuízo, com uma elevação estimada em R$ 143,8 bilhões. São Paulo é o estado mais atingido individualmente, com uma projeção de custos extras na casa dos R$ 95,8 bilhões e milhões de contratos afetados.
Por que a baixa produtividade do brasileiro é um obstáculo?
Produtividade é a capacidade de gerar riqueza por hora trabalhada. O Brasil ocupa apenas a 94ª posição mundial nesse quesito. Reduzir o tempo de trabalho sem que o funcionário se torne mais eficiente significa produzir menos pelo mesmo preço. Em países desenvolvidos, a redução da jornada foi consequência de ganhos de eficiência já consolidados; no Brasil, tentar fazer o inverso pode causar um desequilíbrio econômico grave.
Como essa mudança pode influenciar os preços para o consumidor?
As pessoas devem sentir o impacto no bolso, especialmente em itens essenciais como a cesta básica. Quando o custo de produção sobe, as empresas tendem a repassar esse gasto para o preço final dos produtos. Além disso, o setor público também gastaria mais: estima-se um custo extra de R$ 4 bilhões para o governo, o que pressiona as contas públicas e, consequentemente, o contribuinte.
Quais setores correm mais riscos com a nova jornada?
A indústria e a construção civil estão no alvo principal por serem setores que utilizam muita mão de obra física. No entanto, as micro e pequenas empresas são as mais vulneráveis. Como operam com lucros muito apertados, um aumento de quase 12% nos custos de pessoal pode levar milhares desses negócios ao fechamento, resultando em desemprego em vez do bem-estar esperado com a redução das horas.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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