quarta-feira , 1 abril 2026
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Caiado no PSD reconfigura disputa com Flávio pelo mercado

A oficialização do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, como pré-candidato do PSD à Presidência reconfigura a disputa entre PSD e PL pela confiança do empresariado na corrida eleitoral de 2026 e expõe os limites da busca por uma alternativa fora do eixo dos também pré-candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No evento de confirmação de seu nome na disputa presidencial, Caiado apresentou-se como candidato com experiência de governo, em contraste implícito com o senador Flávio Bolsonaro. Ao enfatizar a própria trajetória política e administrativa, buscou se posicionar como opção de maior previsibilidade em um cenário marcado por incertezas.

“O desafio não é apenas ganhar a eleição do PT — isso é fácil, sem dúvida alguma ele estará batido no segundo turno. O difícil é governar para que o PT não seja mais uma opção no país”, afirmou Caiado.

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Entrada de Caiado na disputa reconfigura busca do mercado por alternativa a Lula

A escolha por Caiado integra a estratégia do presidente do PSD, Gilberto Kassab, de lançar candidato próprio e dar mais envergadura à sigla. Mas o nome não é visto pelo mercado financeiro como o ideal: o setor esperava uma “terceira via” de centro, capaz de atrair os votos de rejeição tanto à direita quanto à esquerda.

Analistas do setor descrevem uma sequência de frustrações na busca por um nome competitivo fora da polarização. A saída do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), considerado o principal ativo nesse sentido, foi seguida pela desistência de Ratinho Junior (PSD), que também tinha boa aceitação entre empresários.

Tarcísio era visto como alguém capaz de unificar diferentes espectros políticos e de liderar as reformas consideradas como necessárias ao país. Já Ratinho Junior era percebido como um nome com maior aderência à agenda econômica liberal e com histórico de gestão com bons resultados fiscais. A ausência de ambos deixou uma lacuna que Caiado, até o momento, não é visto como alguém capaz de preencher.

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Principal objetivo é derrotar Lula, afirmam analistas

O principal temor do empresariado é a reeleição de Lula, filtro que permeia a avaliação dos candidatos. A baixa competitividade de Caiado nas sondagens eleitorais realizadas até agora é outro fator que pesa contra ele.

Levantamento da Nexus encomendado pelo BTG Pactual divulgado na última segunda-feira (30), aponta Flávio Bolsonaro como o único pré-candidato a empatar com Lula nos três cenários estimulados para o primeiro turno, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. No segundo turno, o empate entre Lula e Flávio é numérico: cada um alcança 46%.

“O principal interesse do mercado nesse momento é acabar com essa política fiscal. A predileção é por tirar o Lula”, diz o economista Felipe Miranda, que lembra que a escolha do PSD por Caiado não moveu os mercados.

“O Caiado em si fez pouco preço. A leitura é que ele não tem qualquer capacidade de influenciar o resultado da eleição nesse momento”, analisa Miranda.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, tem intensificado o diálogo com agentes do mercado e se apresentado como um nome mais moderado que o pai, esforço para reduzir resistências geradas, sobretudo, pela volatilidade de de declarações feitas durante o governo Jair Bolsonaro. Em evento recente com empresários, porém, as propostas apresentadas por Flávio foram avaliadas como genéricas e pouco detalhadas.

“Foi uma tragédia: muitas platitudes, muitas falas sem comprometimento. Como ‘vamos acabar com esse monte de gasto’, ‘vamos ser responsáveis’, ou seja, coisas que vão do nada a lugar algum”, resume Miranda.

Ainda assim, o economista reconhece o dado central: “Sem dúvida, o fato de Flávio estar competitivo é o que importa nesse momento.”

  • Metodologia da pesquisa citada: 2.000 entrevistados pela Nexus entre os dias 27 e 29 de março de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual S/A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE nº BR-07875/2026.

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Cenário é de indefinição e compasso de espera por programas de governo

Neste período de articulações eleitorais, o empresariado se mantém em compasso de espera — nenhum campo consolidou posição como favorito. O período de convenções partidárias para a definição dos candidatos é mais pra frente: de 20 de julho a 5 de agosto, com o registro das candidaturas à Justiça Eleitoral até o dia 15 de agosto.

O mercado sempre vai preferir alguém de centro-direita. A questão é que ainda não se sabe se Flávio Bolsonaro é exatamente igual ao pai ou mais ponderado”, afirma Renato Breia, sócio-fundador da Nord Research.

“Por isso, o nome preferido sempre foi o Tarcísio, que é de direita mas sabe ser político”, lembra Breia. Para Alvaro Bandeira, coordenador de Economia da Apimec Brasil, a confiança do mercado será conquistada por quem apresentar o programa de governo mais consistente.

“São detalhes como quem será a equipe, e não só o ministro da Fazenda ou o presidente do Banco Central, mas um conjunto composto também pelo ministro da Indústria, do Planejamento. Isso deve se revelar nos debates eleitorais”, avalia. Economistas também alertam para o cenário fiscal que o próximo governo vai herdar.

Bandeira aponta para a concentração de riscos mais sérios a partir do próximo ano, entre eles, pressão de precatórios, dívida pública acima de 85% do PIB, inflação elevada e impactos ainda incertos de conflitos externos sobre a cadeia produtiva.

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