A Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas impostas pelo governo Trump sob a lei de emergência IEEPA em 20 de fevereiro de 2026. A decisão beneficia o Brasil, que terá a maior redução tarifária global, aumentando a competitividade de seus produtos no mercado americano após meses de incerteza.
O que motivou a decisão da Suprema Corte de derrubar as tarifas?
A Corte entendeu que o Executivo extrapolou seus poderes ao usar uma lei de emergência nacional, a IEEPA, para criar impostos de importação sem consultar o Congresso. A ideia central é que medidas fiscais desse tamanho precisam passar pelo debate legislativo para garantir segurança jurídica e respeitar a separação de poderes, evitando que o presidente decida tudo sozinho.
Qual é o impacto direto para as exportações brasileiras?
O Brasil teve a maior redução média de tarifas no mundo, com uma queda de 13,6 pontos percentuais. Na prática, produtos como móveis, cerâmicas e peças industriais ficam mais baratos e competitivos nos EUA. Empresas como Taurus e Embraer sentiram o reflexo imediato com a valorização de suas ações, já que antes enfrentavam sobretaxas que chegavam a 40% ou 50%.
Como o governo Trump reagiu à derrota judicial?
Horas após o veredito, foi acionado um novo instrumento legal (Seção 122) para fixar uma sobretaxa emergencial de 15% para todos os países. Diferente do modelo anterior, essa medida é temporária: dura apenas 150 dias. Se o governo americano quiser manter esses impostos após esse prazo, precisará obrigatoriamente da aprovação do Congresso, o que funciona como um freio institucional.
Existem países que saíram perdendo com essa mudança?
Sim, ironicamente os aliados tradicionais como o Reino Unido e a União Europeia. Antes, esses parceiros tinham negociado tarifas menores, de cerca de 10%. Com a queda do regime anterior e a imposição da nova taxa universal de 15% de Trump, produtos europeus e britânicos agora pagam mais caro para entrar nos EUA, gerando descontentamento diplomático e pressões por novos acordos.
Quais são os próximos passos para o Brasil nesse cenário?
O foco agora é a diplomacia. O presidente Lula deve ir a Washington em março para negociar a remoção de tarifas que ainda restam sobre o aço e o alumínio brasileiro. Além disso, os dois países discutem pontos de atrito, como o uso do Pix — que os EUA questionam por supostamente prejudicar marcas como Visa e Mastercard — e investimentos americanos em minerais estratégicos no Brasil.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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