O Banco Central decretou nesta quinta-feira (16) a liquidação extrajudicial da cooperativa Creditag por elevado risco aos credores quirografários, ou seja, aqueles que não possuem garantias específicas para receber valores devidos. A medida foi tomada após a autoridade monetária identificar um grave comprometimento da situação econômico-financeira da instituição.
Com a decisão, a Creditag terá as atividades encerradas e um liquidante foi nomeado para conduzir o processo de encerramento e apuração dos ativos e passivos. O objetivo é organizar o pagamento de dívidas e preservar, na medida do possível, os direitos dos credores afetados.
“Trata-se de cooperativa de crédito independente de pequeno porte, enquadrada no segmento S5 da regulação prudencial. Em dezembro de 2025, a Creditag detinha aproximadamente 0,0000226% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”, afirmou o Banco Central em nota (veja na íntegra mais abaixo).
A Gazeta do Povo procurou a Creditag para se pronunciar sobre a determinação do Banco Central e aguarda retorno.
VEJA TAMBÉM:
Ex-presidente do BRB é preso em nova fase da Operação Compliance Zero
A Creditag afirma, em seu site institucional, atuar como uma cooperativa de crédito aberta em 2003 na cidade de Mineiros, em Goiás, que atende o público em geral e oferece “diversos produtos e serviços equivalentes a outras instituições financeiras”. A instituição também destaca que presta “serviços financeiros, cuidando pelo equilíbrio econômico de nossos cooperados, tanto na aplicação de recursos em seus projetos como também na captação de investimentos dos mesmos”.
Entre os serviços oferecidos estão de crédito, seguro, consórcio, capital de giro, agricultura familiar e financiamento. A Creditag tem um capital social de R$ 20 mil, de acordo com serviços de consulta de dados empresariais.
O Banco Central informou que adotará medidas para apurar as responsabilidades dos envolvidos na gestão da cooperativa. As investigações podem resultar em sanções administrativas e no encaminhamento de informações a outros órgãos competentes, conforme previsto na legislação.
Além disso, foi determinada a indisponibilidade dos bens dos ex-administradores, com o objetivo de resguardar recursos para eventual ressarcimento de prejuízos aos credores. A medida busca evitar a dilapidação de patrimônio enquanto o processo de liquidação segue em andamento.
Por outro lado, o Banco Central não indicou ligação com grupos financeiros que vêm sendo investigados desde o ano passado e posteriormente liquidados.
O que dizem os citados
Veja abaixo a nota completa do Banco Central sobre a liquidação extrajudicial da Creditag:
O Banco Central do Brasil decretou hoje, 16 de abril de 2026, a liquidação extrajudicial da Cooperativa de Crédito, Poupança e Serviços Financeiros – Creditag.
Trata-se de cooperativa de crédito independente de pequeno porte, enquadrada no segmento S5 da regulação prudencial.
Em dezembro de 2025, a Creditag detinha aproximadamente 0,0000226% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A liquidação extrajudicial foi motivada pelo grave comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, inclusive sujeitando a risco anormal os seus credores quirografários.
O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos ex-administradores da cooperativa objeto da liquidação decretada.













