A Petrobras decidiu devolver a receita extra obtida no leilão de gás de cozinha realizado há uma semana após críticas públicas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao modelo adotado. A medida, diz a estatal, busca “neutralizar” o impacto de preços que poderiam elevar o custo do botijão ao consumidor.
A devolução da diferença será entre os valores pagos pelas distribuidoras no leilão e a paridade de importação calculada pela ANP na semana de 23 a 27 de março. Segundo a empresa, a decisão considera a “excepcionalidade do contexto mercadológico atual”, influenciado por fatores externos como o conflito no Oriente Médio.
“A decisão, sustentada por análises econômicas e de risco, leva em conta a excepcionalidade do contexto mercadológico atual, decorrente do conflito no Oriente Médio. Considera também as manifestações de órgãos de controle e regulatórios, tais como ANP e Senacom (Secretaria Nacional do Consumidor)”, afirmou a Petrobras em nota emitida nesta quinta-feira (9) (veja na íntegra mais abaixo).
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O recuo ocorre após declarações públicas de Lula, que classificou o leilão como uma “cretinagem, cretinice, bandidagem” e determinou a revisão sob a ameaça de anulação. O presidente também afirmou que o processo ocorreu contra a orientação do governo e indicou que não permitirá aumento no preço do GLP.
“As pessoas sabiam da orientação do governo, da orientação das pessoas. Não vamos aumentar o GLP. Não vamos aumentar. Fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras”, disse Lula e, uma entrevista à TV Record na semana passada.
O leilão resultou na venda total das 70 mil toneladas ofertadas, volume que corresponde a cerca de 11% do consumo mensal de gás de cozinha no país. Mesmo com a devolução dos valores, a Petrobras garantiu que não haverá risco de desabastecimento no mercado interno.
No mesmo anúncio, a estatal revelou que estuda aderir ao programa de subsídio ao gás importado criado pelo governo federal por meio da Medida Provisória 1.349. A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas a conter a alta de preços e ampliar o acesso ao combustível.
O custo do botijão de gás é um tema sensível para o governo, especialmente em um cenário de pressão política e de olho no eleitorado de baixa renda. A proposta do programa Gás do Povo, que beneficia cerca de 15 milhões de brasileiros, é um dos principais chamarizes que Lula usará na campanha à reeleição.
Veja abaixo, na íntegra, o posicionamento da Petrobras sobre a devolução dos valores da diferença arrecadada no leilão:
A Diretoria Executiva da Petrobras aprovou, nesta quarta-feira (8/4), a neutralização dos efeitos de preço decorrentes do leilão de gás liquefeito de petróleo (GLP) realizado pela companhia em 31/3/2026. A decisão, sustentada por análises econômicas e de risco, leva em conta a excepcionalidade do contexto mercadológico atual, decorrente do conflito no Oriente Médio. Considera também as manifestações de órgãos de controle e regulatórios, tais como ANP e Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).
A Petrobras irá, portanto, devolver aos clientes os valores referentes à diferença entre o Preço de Paridade de Importação (PPI) divulgado pela ANP para o período de 23 a 27 de março e os lances arrematados pelos distribuidores participantes do certame. A companhia garante a entrega da totalidade dos volumes contratados no leilão, mantendo a previsibilidade e a segurança do abastecimento nacional.
Adicionalmente, a Petrobras está conduzindo análise sobre sua adesão formal ao programa de subvenção governamental ao GLP importado, instituído pela Medida Provisória Nº 1.349. Caso seja confirmada a adesão da companhia e observado que os volumes arrematados no leilão estão alcançados pelo programa, a Petrobras irá também devolver aos clientes os valores suportados pela subvenção.











