sexta-feira , 17 abril 2026
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Representantes de Lula e Trump discutem investigação dos EUA sobre o PIX

Representantes dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Donald Trump, dos Estados Unidos, se reuniram em Washington nesta semana para tratar da investigação aberta pelo país norte-americano contra o Brasil, com foco em práticas comerciais e no sistema de pagamentos PIX. Os encontros ocorreram em caráter técnico, sem expectativa de decisões imediatas, mas indicam a continuidade de uma disputa que pode levar a um novo tarifaço contra o comércio brasileiro ao país.

As reuniões aconteceram ao longo de dois dias, na quarta (15) e quinta-feira (16), com a delegação brasileira apresentando esclarecimentos sobre pontos já conhecidos da investigação. Segundo relatos, os temas discutidos já haviam sido abordados anteriormente, inclusive em audiência realizada na capital americana no ano passado.

“O governo brasileiro está dando todas as informações, todos esclarecimentos. Estamos confiantes de que possa ser resolvido”, declarou o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin (PSB).

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A apuração foi aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelo país para investigar práticas consideradas desleais por parceiros comerciais. Entre os principais alvos estão políticas brasileiras relacionadas ao PIX e ao setor de etanol, apontadas pelos americanos como possíveis barreiras ao acesso de seus exportadores.

O caso teve início no ano passado, quando o governo americano anunciou a investigação alegando dificuldades de acesso ao mercado brasileiro. Diferentemente de disputas na Organização Mundial do Comércio, a Seção 301 é conduzida internamente pelos Estados Unidos, o que amplia a margem de ação unilateral por parte de Washington.

O presidente Lula tem reiterado que o Brasil não aceitará pressões externas para alterar políticas estratégicas, como o PIX, desenvolvido pelo Banco Central. O discurso, que se tornou frequente desde que os Estados Unidos impuseram um tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras para lá, em meados do ano passado.

Balança comercial

As negociações entre os dois países têm, ainda, o agravante de os Estados Unidos ocuparem a segunda posição de maior parceiro comercial do Brasil, ficando atrás apenas da China, além de manter um superávit para os norte-americanos na balança bilateral. Em 2025, por exemplo, o Brasil registrou déficit de cerca de US$ 7,5 bilhões, resultado da queda nas exportações brasileiras e do aumento das importações vindas do mercado americano.

Esse cenário se repete quando se observa um horizonte mais amplo, já que o Brasil acumula déficit comercial com os Estados Unidos desde 2009, refletindo maior volume de compras do que de vendas ao parceiro. Dados oficiais indicam que, desde 1997, o saldo negativo acumulado ultrapassa US$ 48 bilhões, ainda que em alguns anos tenha havido momentos de maior equilíbrio entre exportações e importações.

Mesmo quando se considera o conjunto de bens e serviços, a vantagem americana permanece significativa, ampliando o peso dessa relação na economia brasileira. Em 2024, o déficit total nas trocas com os Estados Unidos superou US$ 28 bilhões, sendo a maior parte concentrada no setor de serviços, o que reforça o argumento de que, no agregado, os Estados Unidos exportam mais ao Brasil do que importam.

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