A Petrobras informou, na tarde desta quarta-feira (1º), que não aplicará o reajuste de quase 55% no querosene de aviação (QAV), conforme as distribuidoras haviam informado às companhias aéreas no começo desta semana. A estatal aplicará um aumento de 18% em abril, com possibilidade de parcelamento para não impactar as tarifas imediatamente.
Em nota à Gazeta do Povo, a petroleira justificou a redução como uma consequência da guerra no Oriente Médio de forma a “preservar a demanda pelo produto” e “mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado” (veja na íntegra mais abaixo).
Isso, porque, algumas companhias aéreas já previam uma disparada nos preços das passagens com o reajuste completo de 54,8%. Em uma conferência com analistas, o diretor da holding Abra, que reúne a Gol e a Avianca, Manuel Irarrázaval, afirmou que cada aumento de US$ 1 no combustível representa 10% de reajuste nas tarifas.
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A Petrobras informou, ainda, ao mercado que esse reajuste de 18% em abril no preço do QAV poderá inclusive ser parcelado em seis vezes pelos clientes da estatal, com a primeira parcela a vencer a partir do mês de julho. As parcelas de maio e junho ainda terão os parâmetros calculados. O termo de adesão das distribuidoras a essa revisão da tarifa será apresentado até o próximo dia 6 às empresas.
“Esse instrumento contribui com a saúde financeira dos clientes da companhia ao mesmo tempo em que preserva neutralidade financeira para a Petrobras, considerando o cenário de forte elevação das cotações internacionais dos derivados de petróleo, intensificado por tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio”, pontuou a estatal.
Na última segunda-feira (30), a Vibra Energia, principal distribuidora de querosene de aviação nos aeroportos brasileiros, havia confirmado que repassaria o reajuste aplicado pela Petrobras às empresas. Com a decisão desta quarta-feira (1º), a expectativa é de que não haja uma disparada nos preços das passagens aéreas no curto prazo, já que o reajuste do QAV poderá ser parcelado pelas empresas.
Apesar da tentativa do governo de segurar os preços das passagens – que poderia impactar em toda a cadeia produtiva, já que os aviões são utilizados também para o transporte de outras cargas – sites de vendas dos bilhetes verificaram um aumento médio de 15% nas tarifas em apenas 10 dias.
Ao mesmo tempo, o IBGE apontou que as tarifas subiram 5,94% na primeira quinzena de março, sendo o item individual com maior impacto na inflação do mês.
Reajuste menor
Veja abaixo a nota completa da Petrobras sobre a revisão do reajuste do QAV a partir desta quarta-feira (1º):
A Petrobras disponibilizará ao mercado, até segunda-feira (06/04), um termo de adesão para reduzir os efeitos do reajuste do preço do QAV, com validade a partir de hoje (01/04).
A iniciativa permite que as distribuidoras que atendem aviação comercial paguem um aumento de apenas 18% em abril no preço do querosene de aviação (QAV), percentual menor que o reajuste de 54,8% previsto em contrato. A diferença poderá ser parcelada em seis vezes pelos clientes da Petrobras, com primeira parcela a partir de julho de 2026.
Essa medida visa preservar a demanda pelo produto e mitigar os efeitos do reajuste no setor de aviação brasileiro, assegurando o bom funcionamento do mercado.
Esse instrumento contribui com a saúde financeira dos clientes da companhia ao mesmo tempo em que preserva neutralidade financeira para a Petrobras, considerando o cenário de forte elevação das cotações internacionais dos derivados de petróleo, intensificado por tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio.
O mecanismo de parcelamento que reduz os efeitos dos reajustes poderá ser ofertado em maio e junho, com parâmetros ainda a serem calculados.
A Petrobras segue comprometida com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, sem repassar volatilidade de curto prazo aos preços nacionais.












