O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está prestes a deixar o cargo para disputar o governo de São Paulo. Embora alegue missão cumprida, sua gestão entrega uma dívida pública em trajetória explosiva, marcada pelo aumento de impostos e dificuldades no controle dos gastos federais.
Por que a situação da dívida pública é considerada preocupante?
Quando Fernando Haddad assumiu a pasta em 2023, a dívida bruta do Brasil era de 71,7% do PIB. Atualmente, os dados indicam que esse valor saltou para 79% e as projeções do mercado financeiro sugerem que pode chegar a quase 85% até o fim de 2026. Esse crescimento mostra que o governo gastou mais do que arrecadou, mesmo elevando os impostos, o que gera insegurança sobre a capacidade do país de pagar seus compromissos no futuro.
Como funcionou a estratégia de aumento de impostos do ministro?
Haddad focou sua gestão em recuperar a base de arrecadação do governo. Isso incluiu o fim de isenções sobre combustíveis e a criação de novas regras para tributar fundos de investimentos exclusivos e empresas no exterior (offshores). Esse esforço arrecadador deu ao ministro o apelido de ‘Taxad’ nas redes sociais, refletindo o custo político de tentar equilibrar as contas públicas apenas pelo lado das receitas, sem cortar gastos.
O que é o arcabouço fiscal e ele deu resultados?
O arcabouço fiscal é o conjunto de regras criado para substituir o antigo Teto de Gastos e controlar as contas do país. Embora o governo afirme ter cumprido as metas, especialistas apontam que isso só foi possível com ajustes contábeis. Despesas extraordinárias, como as do Rio Grande do Sul, foram retiradas do cálculo oficial. Na prática, o governo registrou um déficit real maior do que o anunciado, mascarando a realidade financeira.
Quais foram os principais desgastes políticos enfrentados por Haddad?
O ministro sofreu crises de imagem, como a polêmica sobre a taxação do Pix e o embate pela reoneração da folha de pagamentos, onde o Congresso resistiu às suas propostas. Outro momento difícil foi o anúncio simultâneo de cortes de gastos e aumento da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, o que gerou uma percepção contraditória de que o governo ‘dava com uma mão e tirava com a outra’.
Existem pontos positivos no legado deixado por ele?
Sim, economistas destacam avanços em reformas estruturais importantes que impactam a economia no dia a dia. Entre elas estão a aprovação da Reforma Tributária sobre o consumo, que simplifica a cobrança de impostos, e o Marco Legal das Garantias, que facilita o acesso ao crédito. Essas medidas eram tentadas por governos anteriores há anos e só foram concluídas na gestão de Haddad, embora o resultado geral das contas públicas ainda seja visto como ambíguo.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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