Às vésperas da divulgação do PIB em 3 de março de 2026, o IBGE atravessa um desgaste institucional profundo sob a presidência de Márcio Pochmann. Exonerações de técnicos experientes e conflitos com servidores abalam a credibilidade do órgão responsável pelas estatísticas oficiais do Brasil.
Qual foi o estopim para o agravamento da crise no instituto?
O ponto crítico ocorreu em 19 de janeiro com a exoneração de Rebeca Palis, coordenadora responsável pelo cálculo do PIB. A saída dela provocou uma debandada de outros três especialistas em solidariedade, levantando suspeitas externas de interferência nos dados econômicos. Embora a associação de servidores desminta qualquer ‘maquiagem’ nos números, o momento da troca, logo antes do anúncio do crescimento do país, gerou ruído e danos à reputação da casa.
Quais são as principais reclamações dos servidores contra a atual presidência?
Os funcionários classificam a gestão de Márcio Pochmann como autoritária e personalista. Eles denunciam a falta de diálogo, a ausência de um planejamento estratégico formal e o atropelo de fluxos técnicos consolidados. Segundo técnicos, decisões importantes são tomadas sem a documentação necessária ou justificativas adequadas, o que prejudica o funcionamento de uma estrutura complexa e regida por normas rígidas como a do IBGE.
O que foi o embate envolvendo a Fundação IBGE+?
Proposta em 2024, a Fundação IBGE+ seria uma entidade de direito privado para captar recursos externos, já que quase todo o orçamento do IBGE é gasto com salários. No entanto, o corpo técnico alertou que isso exigiria uma lei específica aprovada pelo Congresso. Em novembro daquele ano, a Advocacia-Geral da União (AGU) deu razão aos servidores e barrou o registro da fundação por falta de base legal, tornando-se mais um símbolo da resistência técnica às decisões da diretoria.
Como a diretoria tem reagido aos questionamentos internos?
O sindicato da categoria (Assibge) sustenta que a presidência responde a críticas com retaliações e exonerações. Além da área do PIB, o setor de Comunicação Social sofreu intervenção em 2025, quando cinco gerentes experientes foram substituídos por servidores recém-aprovados em concurso, ainda em estágio probatório. Essa postura é vista internamente como uma ‘caça às bruxas’ contra quem se posiciona tecnicamente contra os projetos da gestão.
Existem denúncias de uso político nas publicações do órgão?
Sim. Uma gerente exonerada em janeiro de 2026 havia denunciado, um ano antes, que a publicação ‘Brasil em Números’ trazia o que parecia ser propaganda política do governo de Pernambuco. Pochmann defendeu a parceria na época, alegando falta de recursos e negando ferimento às normas. Para os servidores, no entanto, episódios assim reforçam o temor de que o IBGE esteja perdendo seu caráter de órgão de Estado para servir a interesses momentâneos de governo.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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