segunda-feira , 23 fevereiro 2026
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Ligga Telecom é vendida para Brasil TecPar por R$ 1,8 bilhão

A Ligga Telecom assinou contrato de venda de sua principal operação, a de banda larga por fibra óptica, para a operadora Brasil TecPar, em um negócio que custará à compradora R$ 1,775 bilhão.

O valor da aquisição foi acordado em R$ 495 milhões, mas a Brasil TecPar assumirá ainda uma dívida líquida estimada em R$ 1,28 bilhão da Ligga, atualmente controlada pelo empresário Nelson Tanure por meio do fundo BP Participações S.A.

No fim de janeiro, a Ligga já havia assinado a venda de sua operação de 5G, arrematada em 2018 em leilão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), para a Unifique Telecomunicações, por R$ 20 milhões.

A marca Ligga substituiu a antiga Copel Telecom, que pertencia à estatal Companhia Paranaense de Energia (Copel) e foi a leilão na B3 em novembro de 2020. A operação foi adquirida por Tanure por meio de outro fundo, a Bordeaux Participações, por R$ 2,4 bilhões.

Na época, o empresário levantou R$ 1,2 bilhão do capital com Farallon, Prisma, BTG e Santander, dando as ações da própria Ligga em alienação fiduciária. Diante de pressões dos credores em razão do vencimento da dívida, ele teria colocado ações que detinha na Light e na Aliança Saúde como parte da garantia.

No início deste mês, as instituições financeiras executaram as ações da Light e da Alliança dadas em garantia, mas as da Ligga permaneceram como dívida ativa da empresa.

Como mostrou a Gazeta do Povo, a venda da Ligga era contestada pelo sócio minoritário da operadora, Agnaldo Bastos Lopes, que afirma não ter recebido informações adequadas sobre as negociações, além de apontar “condução desastrosa” da empresa por parte de Tanure.

Em janeiro deste ano, Tanure foi alvo da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investiga um esquema de fraudes contábeis e financeiras envolvendo o Banco Master, liquidado em novembro passado pelo Banco Central (BC).

Segundo as investigações, o empresário teria ligações com Daniel Vorcaro, ex-dono da instituição financeira. Ele nega e diz que todas as suas relações com o banco foram lícitas e apenas na condição de cliente.

Reportagem deste mesmo jornal mostrou que recursos do caixa da Ligga foram utilizados para aplicação em cédulas de crédito bancário (CCBs) do Master.

Com aquisição da Ligga, Brasil TecPar vira 4ª maior operadora de banda larga do país

Com a compra da operação de fibra óptica da Ligga, a Brasil TecPar acrescenta a sua base aproximadamente 344 mil clientes, incluindo unidades residenciais, comerciais e órgãos públicos.

Fundada no Rio Grande do Sul em 1995, inicialmente como operadora de internet discada (dial-up), a Brasil TecPar cresceu nos últimos por meio da aquisição de outras companhias.

Ao assumir a carteira da Ligga, a empresa passa a ser a quarta maior operadora de telecomunicações de banda larga fixa do Brasil, com 1,689 milhões de acessos totais, atrás apenas de Claro, Vivo e Oi (atual Nio).

A conclusão da operação ainda está sujeita ao cumprimento de condições usuais para operações desta natureza, como a aprovação por órgãos reguladores como Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Anatel.

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