sexta-feira , 13 fevereiro 2026
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Conclusão de Angra 3 custará R$ 24 bi, mesmo valor para abandonar de vez

O governo federal deve decidir até o fim do semestre se conclui ou abandona a obra da usina nuclear de Angra 3, após mais de quatro décadas, diante de custos bilionários praticamente equivalentes entre seguir ou encerrar o projeto. Um estudo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aponta que a conclusão exigiria cerca de R$ 24 bilhões em investimentos adicionais, enquanto o abandono pode custar entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões em despesas como rescisões contratuais, desmontagem do canteiro, devolução de incentivos fiscais e multas por cancelamento de financiamentos.

De acordo com a ministra Esther Dweck, da Gestão e Inovação, há preocupação com os impactos estratégicos de uma eventual desistência. Os custos tanto para conclusão como para o abandono de vez têm travado a decisão dentro do governo.

“Não é simples parar porque tem custos em não continuar. E o custo de não continuar é muito próximo ao de continuar”, declarou em entrevista à Reuters.

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Na semana passada, o presidente da Eletronuclear, Alexandre Caporal, afirmou que as obras inacabadas de Angra 3 podem levar a estatal a um colapso semelhante à crise bilionária vivida pelos Correios, levando junto as outras usinas de Angra 1 e 2. Isso, porque, a construção da terceira planta energética consome R$ 1 bilhão ao ano do dinheiro arrecadado pelas geradoras vizinhas.

A decisão do governo sobre a conclusão ou não de Angra 3 também depende de negociações com novos investidores privados na estatal, a holding J&F dos irmãos Joesley e Wesley Batista. E, ainda, ao impasse devido à demora na homologação de um acordo envolvendo a Eletrobras, que se desobrigou de investir no projeto após entendimento com o governo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Internamente, segundo a ministra, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está dividido sobre a continuidade de Angra 3. A área econômica avalia que o custo da energia gerada pode não compensar o investimento, enquanto o setor energético defende a obra como estratégica para a matriz limpa do país.

O Ministério de Minas e Energia sustenta que a usina representa uma fonte estável e de baixa emissão, alinhada à transição energética. Já a equipe econômica considera que o alto custo compromete a viabilidade financeira do empreendimento.

Esther Dweck ressaltou ainda o caráter estratégico do programa nuclear brasileiro, destacando que poucos países dominam todo o ciclo do urânio, como China, Estados Unidos e Rússia. “Muito estratégico”, afirmou ao lembrar que o Brasil é o único entre eles a utilizar a tecnologia exclusivamente para fins não bélicos.

A decisão final caberá ao Conselho Nacional de Política Energética, colegiado que reúne ministros e especialistas para definir diretrizes do setor. O histórico de Angra 3 inclui paralisações por falta de recursos e investigações de corrupção ligadas à Operação Lava Jato, além de tentativas frustradas de retomada, como a ocorrida em 2022.

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