segunda-feira , 9 fevereiro 2026
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Vieira pede quebra de sigilos de empresa dos irmãos de Toffoli

O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, pediu a quebra de sigilos da empresa Maridt Participações, controlada por irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), por suspeitas de blindagem patrimonial ligada a fundos do liquidado Banco Master. O requerimento mira dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos entre janeiro de 2022 e fevereiro de 2026, além de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

A Maridt é controlada por José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, irmãos do ministro, e passou a ser alvo após reportagens apontarem ligação entre eles e um resort de luxo no interior do Paraná que tinha, ainda, participação de fundos do Master. Para Vieira, há a suspeita de que eles atuariam como “laranjas” em estruturas financeiras.

“É uma medida de extrema urgência e necessidade para o deslinde das investigações desta Comissão Parlamentar de Inquérito, que busca desmantelar a complexa rede de influência e lavagem de capitais que orbita em torno do Banco Master e de suas conexões com agentes públicos de cúpula”, afirmou.

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A Maridt foi sócia do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), em que o ministro, segundo apurações, é tratado por funcionários como o verdadeiro dono do empreendimento, o que levantou questionamentos sobre sua atuação como relator do caso no STF. A desconfiança ganhou força diante do sigilo absoluto decretado no processo e de decisões que contrariaram procedimentos usuais da Polícia Federal.

O requerimento de Vieira pede acesso detalhado a movimentações financeiras, contas bancárias, investimentos e bens mantidos pela empresa e por seus controladores. Também solicita registros de chamadas telefônicas, dados cadastrais, localização e conteúdos vinculados a redes sociais e aplicativos de mensagens.

Entre os dados solicitados estão informações de aplicativos de mensagens, redes sociais e de armazenamento em nuvem. Para o senador, a quebra de sigilo é essencial para identificar a real destinação do dinheiro e esclarecer os fatos apurados pela CPI.

Parte da participação dos irmãos no Tayayá, avaliada em R$ 6,6 milhões, foi negociada com fundos ligados ao pastor e empresário Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Na sede da Maridt S/A, que funciona na residência do casal José Eugênio e Cássia Pires Toffoli, a esposa do engenheiro disse desconhecer a participação do marido no resort de Ribeirão Claro.

“Moço, dá uma olhada na minha casa. Você está vendo a situação da minha casa? Eu não tenho nem dinheiro para arrumar as coisas da minha casa!”, afirmou em uma apuração do Estadão.

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