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Mau comportamento dos turistas leva cidade japonesa a cancelar festival das cerejeiras em flor


Festival das cerejeiras em flor no Japão
BBC/Getty Images
Autoridades de uma pequena cidade perto do monte Fuji, no Japão, cancelaram o festival das cerejeiras em flor deste ano, afirmando ser impossível para os moradores locais administrar o pico do número de turistas.
O fluxo de visitantes na cidade de Fujiyoshida gera lixo e congestionamentos crônicos. Alguns moradores afirmam terem observado turistas invadindo ou defecando em jardins particulares.
A região é um destino popular na primavera, quando as cerejeiras-do-japão, famosas em todo o mundo, atingem o auge da floração e podem ser admiradas com o monte Fuji ao fundo.
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Mas a pitoresca paisagem de Fujiyoshida ameaça “a vida calma dos cidadãos”, como explica o prefeito da cidade: “Temos uma forte sensação de crise”.
“Para proteger a dignidade e as condições de moradia dos nossos cidadãos, decidimos suspender o festival, que era realizado há 10 anos”, declarou o prefeito de Fujiyoshida, Shigeru Horiuchi, ao fazer o anúncio na terça-feira (3/2).
Em abril de 2016, as autoridades anunciaram a abertura dos portões do parque Arakurayama Sengen aos turistas, durante a estação da sakura (flor de cerejeira, em japonês).
O parque oferece uma vista panorâmica da cidade a partir do seu pagode, com diversos pontos “instagramáveis”, perfeitos para fotografar.
As autoridades de Fujiyoshida começaram a realizar o evento anual no parque Arakurayama Sengen, na esperança de promover as atrações da região e aumentar o número de visitantes, criando uma “atmosfera dinâmica no local”.
Mas o governo municipal afirma que o número de visitantes nos últimos anos “aumentou exponencialmente, excedendo a capacidade da cidade de recebê-los e resultando em turismo excessivo, com sérios impactos para as condições de moradia dos habitantes locais”.
Atualmente, 10 mil visitantes se dirigem à cidade diariamente durante o pico da estação das flores de cerejeira, segundo as autoridades de Fujiyoshida, que tem sua população estimada em 44 mil habitantes.
O aumento “se deve a fatores como o iene barato e a explosão de popularidade alimentada pelas redes sociais”.
As autoridades municipais relatam que os turistas “abriam portas de casas particulares sem permissão para usar o banheiro”. Eles também invadiam, sujavam e “defecavam em quintais particulares, criando alvoroço quando os moradores se queixavam”.
O festival não irá se realizar, mas a cidade está se preparando para o aumento do número de visitantes nos meses de abril e maio.
‘Cuidado! Tirar fotos no meio da rua é perigoso. Permaneça na calçada’, diz o cartaz em inglês e japonês em Fujiyoshida, no Japão
BBC/Getty Images
Esta não é a primeira vez que autoridades japonesas precisam tomar medidas em relação aos turistas ávidos por fotos.
Em 2024, o governo local bloqueou um dos pontos mais emblemáticos do Japão na cidade de Fujikawaguchiko com uma grande barreira escura, para tentar deter turistas mal comportados que tentavam registrar a imagem privilegiada do monte Fuji.
Os moradores de Fujikawaguchiko acusaram turistas estrangeiros de jogar lixo e estacionar ilegalmente no local, enquanto buscavam a imagem perfeita.
A famosa imagem na cidade de Fujikawaguchiko mostra uma loja de conveniência em primeiro plano, com a vista mais conhecida do monte Fuji, no Japão, erguendo-se atrás dela
BBC/Getty Images
E o Japão não é o único país a tentar deter as aglomerações causadas pelos turistas.
Na segunda-feira (2/2), a Itália começou a cobrar uma taxa de 2 euros (cerca de R$ 12,40) pelo acesso à área de observação da simbólica Fontana di Trevi, em Roma.
A visita à fonte era gratuita, mas as autoridades afirmam que o ingresso ajudará a controlar o número de turistas, além de levantar fundos para a manutenção do monumento.
Em Veneza, também na Itália, os visitantes de um dia que pretenderem visitar a cidade em certos dias entre abril e junho precisarão pagar 5 euros (cerca de R$ 31) se reservarem com antecedência, ou 10 euros (cerca de R$ 62) se não tiverem reserva.
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