sexta-feira , 9 janeiro 2026
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Relator do Caso Master no TCU deve recuar de inspeção do BC

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Jhonatan de Jesus, deve paralisar o pedido de inspeção técnica no Banco Central (BC) referente à investigação do Banco Master. A decisão ocorre logo após o senador Alessandro Vieira protocolar uma representação contra o magistrado na Procuradoria-Geral da República (PGR).

A informação sobre o recuo do TCU foi confirmada com exclusividade à coluna da jornalista Ana Flor, do G1, pelo presidente da corte, Vital do Rêgo. A possibilidade de reversão da liquidação do Banco Master também perdeu força após declarações públicas de Vital do Rêgo, que condicionou tal medida a uma eventual decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). À Reuters, Vital do Rêgo afirmou que ainda não há elementos suficientes que comprovem a suposta precipitação do BC no caso.

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Vital do Rêgo informou ainda que deve se reunir na próxima semana com representantes do governo federal — incluindo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad — e com o presidente do BC, Gabriel Galípolo, para tratar do tema.

Nesta quarta-feira, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) protocolou a representação ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, contra Jhonatan de Jesus. Vieira aponta suspeita de abuso de autoridade nas ações do TCU relacionadas à investigação do caso Banco Master. Em postagem na rede social X, o parlamentar subiu o tom, classificando como “absolutamente inconstitucional” a atuação do ministro e afirmando que ela “coloca em risco a credibilidade do Banco Central e do sistema financeiro nacional”.

Desde dezembro, o TCU vem levantando suspeitas sobre a atuação do Banco Central (BC) no caso, num comportamento que vem sendo interpretado como uma tentativa de salvar Daniel Vorcaro, banqueiro com um relacionamento estreito com políticos influentes.

A movimentação do TCU é mais um capítulo da disputa que circunda a decisão inédita de questionar a liquidação do Banco Master pelo BC. A pressão institucional pode ter sido reforçada por campanhas digitais coordenadas para descredibilizar o BC e influenciar a opinião pública para um resultado que pode levar à reversão da liquidação do Master.

Decretada pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, a liquidação do Master ocorreu paralelamente à Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que investigou a emissão de títulos falsos e outros crimes financeiros. Na mesma época, o controlador Daniel Vorcaro tentou deixar o país e acabou preso.

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